quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Actualmente, o termo mais correcto para a denominação deste acontecimento aparece como sendo Acidente
Vascular Encefálico (AVE). Este novo conceito deve-se ao facto de a denominação de AVC englobar apenas uma lesão no cérebro. Contudo, no acidente vascular pode estar envolvido qualquer estrutura encefálica, e não apenas a parte cerebral.

O AVE ocorre quando uma parte do encéfalo deixa de   receber oxigénio do sangue, ocorrendo uma isquemia (falta de oxigénio nas células) podendo levar a um enfarte (morte das células devido à isquemia). Na maioria dos casos, o processo que leva à ocorrência de um AVE é o mesmo que se verifica num ataque cardíaco.

O AVE pode ser classificado como: hemorrágico – devido ao rompimento de um vaso sanguíneo e consequente   derrame de sangue, ou
isquémico – devido à obstrução de um vaso sanguíneo e consequente
impedimento da circulação de sangue.

Uma grande percentagem dos AVE´s (~85%) que ocorrem são isquémicos. O mesmo pode ocorrer de duas formas. Como no ataque cardíaco, ocorre uma obstrução de um vaso sanguíneo. Essa obstrução pode resultar da formação de um ateroma (aterosclerose). Os ateromas são depósitos de gordura que se formam nas paredes dos vasos
sanguíneos e que progressivamente vão fechando o vaso, não permitindo que a circulação do sangue. Quando o ateroma não bloqueia completamente o vaso sanguíneo, existe a possibilidade de isso acontecer devido a um êmbolo. Os êmbolos são coágulos de sangue que circulam livremente pelos vasos sanguíneos e que podem ficar presos num ateroma, obstruindo completamente o vaso sanguíneo. Da mesma forma, quando um êmbolo tem um tamanho significativo pode obstruir um vaso sanguíneo de menor calibre. Nestes casos as células que estão
dependentes desses vasos sanguíneos para receber oxigénio deixam de o receber, entrando em isquemia. Se a falta de oxigénio for prolongada ocorre a morte celular, o enfarte. Nos AVE´s hemorrágicos (~15%) ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo, devido ao enfraquecimento do mesmo.

Existem dois tipos de factores de risco que podem contribuir para a ocorrência de um AVE. Como factor de risco não modificável temos: idade, sexo, factores raciais e hereditariedade. Os factores de risco modificáveis são: hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, tabagismo, etilismo (álcool), dislipidemia, obesidade, entre outros. Estes últimos são os que pudemos modificar, e como tal nos quais devemos centrar a nossa atenção. A hipertensão junto com a
dislipidemia são dois dos factores de risco mais importantes. Na hipertensão, a pressão em excesso nos vasos
sanguíneos causa pequenas lesões da parede arterial, que posteriormente pode originar aterosclerose. Provoca também um aumento da espessura da camada muscular que rodeia as artérias contribuindo para a diminuição do diâmetro dos vasos. A dislipidemia relaciona-se com a presença de lípidos no sangue, o colesterol. O LDL – (mau) Colesterol relaciona-se com uma maior incidência de aterosclerose. Por outro lado o HDL – (bom) Colesterol com uma menor, dado contribuir para que o LDL – Colesterol seja removido. È muito importante um bom controlo nestes dois factores de risco, dado que a prevalência tem aumentado na nossa população.

Quando ocorre um AVE, os principais sintomas verificados são: diminuição da força muscular de um membro ou lado do corpo, alteração da expressão facial com queda dos lábios para um dos lados, alteração da fala, alterações na marcha, alterações visuais, entre outras. Um teste simples, que pode ser indicador da ocorrência de um AVE, é pedir à pessoa que feche os olhos e levante os braços para a frente e os mantenha, durante 10 segundos. Se um dos braços da pessoa tender a descer é provável que tenha sofrido um AVE.

O que fazer no caso da ocorrência de um AVE? Existe uma classe de medicamentos que ajudam a restaurar a
circulação sanguínea e como tal a minimizar as suas consequências. Contudo para o seu efeito ser efectivo deverá ser administrado nas primeiras horas após a ocorrência. Por isso é extremamente importante que na presença de um AVE recorra rapidamente a ajuda médica. Se suspeitar desta ocorrência não espere para ver se os sintomas melhoram, nem se auto medique. Nunca deixe a pessoa suspeita de ter sofrido o AVE conduzir o carro, pois poderá provocar um acidente grave! Ligue o 112 e explique os sintomas observados. Se forem alguns dos descritos refira a possibilidade de ser um AVE (AVC).

Dependendo do tipo de AVE, isquémico ou hemorrágico, as suas consequências podem ser variadas. A recuperação será o próximo passo. O apoio da família e pessoas próximas será uma mais-valia. Pequenos passos serão dados, mas o importante será nunca desistir, e os pequenos passos serão conquistas preciosas.

Tiago Correia, Fisioterapeuta da Felicity



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